AGRONEGÓCIO

Dono do Arsenal é também o maior proprietário privado de terras dos EUA

O bilionário americano Stan Kroenke, dono do portfólio de clubes esportivos mais valioso do mundo, que inclui o Arsenal, de…

O bilionário americano Stan Kroenke, dono do portfólio de clubes esportivos mais valioso do mundo, que inclui o Arsenal, de Londres, e, mais recentemente, o Los Angeles Angels, acumula outro título de destaque. O magnata do setor imobiliário do Colorado, conhecido por muitos anos como “Silent Stan” (“Stan, o Discreto”, em tradução livre) por sua discrição diante da imprensa, é atualmente o maior proprietário privado de terras dos Estados Unidos, segundo o ranking de 2025 da publicação Land Report. Kroenke controla cerca de 1,09 milhão de hectares (2,7 milhões de acres), uma área superior à do Parque Nacional de Yosemite e equivalente a aproximadamente 2 milhões de campos de futebol.

O empresário ampliou ainda mais seu império nesta semana ao anunciar a compra do time de beisebol Los Angeles Angels de Arte Moreno. Com a conclusão da operação prevista para o primeiro trimestre de 2027, Kroenke passará a ter participação controladora em franquias como Los Angeles Rams, Denver Nuggets, Colorado Avalanche, Arsenal e Angels.

“Os Angels são uma franquia histórica em um mercado extraordinário. Estamos entusiasmados com o futuro da organização”, afirmou Kroenke em comunicado divulgado pelos Angels e pela Kroenke Sports & Entertainment.

Sua ascensão ao topo da lista dos maiores proprietários de terras dos EUA ocorreu após a compra, em dezembro, de 379 mil hectares de fazendas da família Singleton, controladora da Teledyne Technologies. A transação foi a maior aquisição de terras no país em mais de uma década.

Kroenke construiu a base de sua fortuna no mercado imobiliário, muito antes de se tornar um dos principais investidores do esporte mundial. Embora seja casado desde 1974 com Ann Walton Kroenke, herdeira da família fundadora do Walmart, ele fez fortuna desenvolvendo centros comerciais, muitos deles tendo a varejista como principal atração.

Com a expansão de seu patrimônio rural, Kroenke ultrapassou nomes como John Malone, conhecido como “o caubói da TV a cabo”, e o empresário de mídia Ted Turner no ranking de grandes proprietários de terras. A família Emmerson, ligada à indústria florestal, ocupa posição logo atrás, enquanto Bill Gates aparece apenas na 44ª colocação, com cerca de 111 mil hectares.

A corrida bilionária pelas terras agrícolas

O avanço de Kroenke reflete uma tendência mais ampla entre bilionários americanos: a busca por terras agrícolas como forma de proteção patrimonial. Fazendas, áreas de pecuária e florestas ganharam espaço nas carteiras de investidores de alta renda por serem vistas como uma proteção contra inflação e volatilidade dos mercados financeiros.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o valor médio das terras agrícolas no país chegou a US$ 10,7 mil por hectare em 2025, alta de 4,3% em relação ao ano anterior.

Para Steve Bruere, presidente da consultoria agrícola Peoples Company, o setor se transformou em uma classe de ativos avaliada em cerca de US$ 4,3 trilhões.

“Quem busca diversificação e acredita que a inflação continuará presente vê as terras agrícolas como uma excelente alternativa”, afirmou à Fortune.

Por que os super-ricos estão comprando fazendas

O interesse por terras agrícolas ganhou força após a crise financeira de 2008, quando investidores passaram a buscar alternativas aos ativos tradicionais. Assim como ocorreu com o mercado imobiliário nos anos 1970, a lógica é que a terra funciona como proteção contra a inflação, preservando valor ao longo do tempo.

Além disso, investidores apostam em tendências estruturais, como crescimento populacional, aumento da renda global e maior demanda por alimentos e combustíveis. Como a quantidade de terras produtivas disponíveis é limitada, muitos acreditam que esses ativos tendem a se valorizar continuamente.

Outro atrativo é a renda recorrente gerada pelo arrendamento das propriedades para agricultores, muitos dos quais não têm recursos para adquirir terras próprias.

Agricultores enfrentam concorrência bilionária

O aumento do interesse dos grandes investidores, porém, gera preocupação entre produtores rurais. Erin Foster West, diretora de campanhas da National Young Farmers Coalition, afirma que muitos agricultores, especialmente os mais jovens, têm encontrado dificuldades para competir com compradores bilionários.

“Isso torna muito mais difícil para agricultores adquirirem sua primeira propriedade ou expandirem suas operações”, afirmou à Fortune.

Embora o custo dos aluguéis tenha subido em ritmo menor que o valor de compra das terras, a entrada de investidores com enorme capacidade financeira tem elevado os preços e dificultado o acesso dos produtores às áreas agrícolas.

Para muitos observadores, a trajetória de Stan Kroenke mostra como terras produtivas deixaram de ser apenas um ativo ligado ao agronegócio para se tornarem uma das apostas preferidas dos ultra-ricos na busca por proteção patrimonial e valorização de longo prazo.

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Gustavo Azevedo

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