NEGÓCIOS
Combinação experimental da Lilly supera Zepbound em estudo para perda de peso
A Eli Lilly afirmou nesta quarta-feira (30) que seu medicamento experimental combinado para perda de peso superou o Zepbound, seu…

A Eli Lilly afirmou nesta quarta-feira (30) que seu medicamento experimental combinado para perda de peso superou o Zepbound, seu produto de grande sucesso, em um estudo comparativo direto, intensificando a concorrência com a rival dinamarquesa Novo Nordisk por novas terapias mais eficazes contra a obesidade. A farmacêutica, sediada em Indianápolis, disse que pacientes com diabetes que receberam a maior dose testada de EloraTZP, combinação de tirzepatida com o medicamento experimental eloralintida, perderam em média 23,3% do peso corporal ao longo de 48 semanas. O resultado se compara a 14,8% entre os pacientes que receberam a maior dose de Zepbound no estudo de fase intermediária. A tirzepatida é o princípio ativo do Zepbound e também do Mounjaro, medicamento da Lilly para diabetes. Kenneth Custer, presidente da divisão de saúde cardiometabólica da Lilly, afirmou em entrevista que espera que o medicamento combinado ofereça “o melhor equilíbrio entre eficácia, segurança e tolerabilidade” dentro do portfólio de tratamentos contra obesidade da Lilly e também em relação aos concorrentes. O executivo observou que o tratamento produziu perda de peso significativa em pacientes com diabetes, grupo que historicamente enfrenta maiores dificuldades no controle do peso. Custer disse que é possível que a combinação produza uma perda de peso ainda maior em estudos futuros do que a retatrutida, outro promissor medicamento experimental da Lilly contra obesidade. Em um estudo de fase avançada, a maior dose de retatrutida levou a uma redução média de peso de até 28,3% ao longo de 80 semanas em pacientes sem diabetes. O EloraTZP também reduziu os níveis de açúcar no sangue, diminuindo a hemoglobina glicada, ou HbA1c, em até 2,9%, ante 2,4% com tirzepatida isoladamente, segundo dados apresentados no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, em Milão. Os pacientes interromperam o uso de EloraTZP no estudo em uma taxa que variou de 10,8% a 27%, dependendo da gravidade dos efeitos colaterais, já que várias doses foram testadas. Isso se compara a uma taxa de abandono de 0% a 10,8% com eloralintida isoladamente, 2,9% com tirzepatida e 16,7% entre os que receberam placebo. Os efeitos colaterais mais comuns foram problemas gastrointestinais leves a moderados, que ocorreram principalmente durante o aumento gradual das doses e foram mais frequentes nos grupos que receberam a combinação do que entre os que usaram cada medicamento isoladamente, afirmou a empresa. Durante uma coletiva de imprensa para discutir os resultados, a Lilly afirmou que a maior taxa de descontinuação ocorreu porque os pacientes aumentaram simultaneamente as doses de dois medicamentos. A companhia disse que irá aprimorar os esquemas de aumento gradual das doses nos estudos de fase avançada e de maior duração. Cenário competitivo Os resultados elevam a disputa entre Lilly e Novo por participação no mercado global de medicamentos para perda de peso, que alguns analistas estimam que possa alcançar entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões por ano até o fim da década. A Novo está a caminho de lançar no início do próximo ano o primeiro medicamento combinado contra obesidade, o CagriSema. As expectativas em torno do tratamento foram abaladas em fevereiro, quando ele ficou abaixo da tirzepatida em dose alta da Lilly em um estudo comparativo direto, apesar de ter proporcionado uma redução média de peso de 23% ao longo de 84 semanas. A situação da Novo mudou drasticamente desde a época em que dominava o mercado com a chegada, em 2021, do potente medicamento contra obesidade Wegovy, que levou o valor de mercado da companhia para mais de US$ 600 bilhões. As ações da farmacêutica dinamarquesa caíram mais de 70% em relação às máximas históricas diante da forte concorrência da rival americana Lilly. Perfil de pacientes Executivos da Eli Lilly afirmaram que ainda é cedo para determinar o perfil ideal de paciente para a terapia combinada, mas observaram que ela pode atender pessoas que precisam perder entre 20% e 30% do peso corporal ou aquelas que não conseguem atingir suas metas com Zepbound, ao atuar sobre uma via hormonal ligada à fome e aos pensamentos relacionados à comida. A eloralintida pertence a uma classe de medicamentos conhecidos como agonistas seletivos do receptor de amilina, que atuam sobre um hormônio diferente daquele alvo do GLP-1 Zepbound. No estudo EloraTZP, que teve vários grupos e envolveu 367 adultos obesos ou com sobrepeso e diabetes tipo 2 nos Estados Unidos e na Argentina, a eloralintida isoladamente levou a uma perda média de peso de 12,3% na segunda maior dose testada e de 11,1% na maior dose, enquanto os pacientes que receberam placebo perderam apenas 3%. A empresa afirmou que pretende iniciar estudos de fase avançada com EloraTZP no quarto trimestre de 2026, enquanto estudos de fase avançada com eloralintida em pacientes obesos e com sobrepeso, com e sem diabetes, continuam em andamento. “Obesidade e diabetes tipo 2 estão interligados, e estamos observando o benefício potencial de atuar sobre múltiplas vias hormonais para tratar ambas as condições”, afirmou Liana Billings, principal pesquisadora do estudo. Eli Lilly Bloomberg
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