NEGÓCIOS

Industrialização da construção esbarra na capacidade de pagamento do comprador, aponta CEO

Um canteiro mais industrializado ganha eficiência de produção e velocidade na obra, mas a capacidade de pagamento do comprador pode…

Um canteiro mais industrializado ganha eficiência de produção e velocidade na obra, mas a capacidade de pagamento do comprador pode não acompanhar essa mudança de ritmo, afirmou Pedro Donadon, CEO da incorporadora ADN, em painel de evento da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), nesta quarta-feira (7), em São Paulo. O comprador usa o período de obra para pagar a entrada do imóvel. Se esse período é acelerado, a quantidade de parcelas da entrada precisa ser reduzida, o que exige um fôlego financeiro maior do comprador, justamente o oposto do que o setor tem encontrado. Donadon destacou que o setor de habitação econômica está “cada vez mais dependente de subsídio” para o comprador. “Vemos a renda das pessoas não acompanhando o custo da construção”, afirmou. Tanto o programa federal Minha Casa, Minha Vida (MCMV) quanto programas estaduais oferecem subsídios que ajudam o comprador a pagar parte da entrada. No entanto, esses valores e a própria poupança e saldo do FGTS dos compradores não têm sido suficientes para quitar a entrada, o que exige um financiamento feito pelas incorporadoras, chamado de pró-soluto. Sem garantia, esse é um tipo de empréstimo mais arriscado para as incorporadoras. Segundo Donadon, o pró-soluto vem “machucando bastante” as empresas e se tornado um desafio cada vez maior. “Não adianta fazer a obra em seis meses e o cliente não ter como pagar os 20% de entrada”, disse. Eduardo Fischer, co-CEO da MRV&Co, que mediou o painel, reforçou essa visão, acrescentando que o saque aniversário do FGTS “tirou a capacidade das pessoas darem alguma coisa de entrada no MCMV”. Produtividade por setor Também no painel, Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP, afirmou que o canteiro de obras tradicional, no segmento econômico, já é mais padronizado e industrializado. O Sinduscon-SP está medindo a produtividade no setor e encontrou uma média de 14 homens/hora por metro quadrado de área construída em empresas do segmento econômico, enquanto no alto padrão a quantidade de pessoal por área produzida mais do que dobra, para 30 a 35 homens/hora.

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Industrialização da construção esbarra na capacidade de pagamento do comprador,…”?
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Carolina Fischer

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