INTERNACIONAL

Margem estreita, ‘voto útil ’e abstenção: veja o que analistas esperam no 1º turno

Os brasileiros votam, neste domingo (4), nos próximos integrantes dos poderes Executivo e Legislativo. Embora parte dos eleitos só deva…

Os brasileiros votam, neste domingo (4), nos próximos integrantes dos poderes Executivo e Legislativo. Embora parte dos eleitos só deva ser conhecida após o segundo turno, a primeira etapa do pleito já deve traçar os rumos dos próximos quatro anos da política nacional ao definir a composição do Congresso. O Valor reuniu avaliações de analistas políticos sobre o que esperar do primeiro turno das eleições e quais são as principais questões a acompanhar. A expectativa geral é que a disputa pela Presidência vá ao segundo turno e que a apuração da primeira etapa revele uma diferença estreita entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL). O movimento de voto útil e o peso das abstenções e dos votos brancos e nulos são apontados pelos analistas como fatores que podem decidir o resultado. Veja as análises abaixo: Felipe Nunes, sócio-fundador da Quaest “Eu espero uma eleição polarizada, calcificada pelo antipetismo e pelo antibolsonarismo, algo que vem se mantendo constante desde o começo da disputa. As pesquisas sugerem também um movimento de voto útil dos eleitores dos outros candidatos para Lula e Flávio já no primeiro turno.” Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral e colunista do Valor “Acho que o principal ponto é que se tenha um segundo turno em que finalmente a gente possa ter um debate de ideias, um confronto, uma apresentação mais concreta de propostas pelos candidatos, o que não ocorreu antes do primeiro turno. Os dois principais candidatos se furtaram a esse debate. A primeira expectativa é essa. Outra coisa em que estou de olho são as eleições nos Estados. Tem muitos casos em que o lulismo está sendo confrontado com candidatos mais à direita. Então, é importante ver como vai se firmar esse tabuleiro dos governos dos Estados. Mas, principalmente, estou muito curioso para ver como vai ficar a configuração do Senado. Houve uma movimentação muito forte nos últimos meses da direita e do bolsonarismo para impulsionar candidaturas ao Senado. Mas as pesquisas indicam que forças antibolsonaristas têm uma possibilidade de formar uma bancada razoável no Senado, e será interessante ver como ficará essa configuração final. Isso vai ser muito importante para as condições de governabilidade do próximo presidente, seja ele quem for, mas principalmente pelo embate entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal, já que é o Senado que decide o impeachment de ministros do Supremo.” Cila Schulman, CEO do Ideia Instituto de Pesquisa “Meu foco de atenção está no ‘não voto’, a soma de votos brancos, nulos e abstenções. Numa campanha em que o eleitor está anestesiado entre duas opções com alta rejeição, o ‘não voto’ pode definir o resultado no primeiro turno e, para isso, precisaria ficar numa zona de 31% ou 32%. O segundo ponto a observar é a força do antipetismo de chegada, que é a migração de eleitores da chamada terceira via para o candidato que julgam ter mais força para vencer Lula num segundo turno. A depender da potência desse movimento, Flávio poderá entrar como favorito no segundo turno. Nos Estados, deve haver uma alta taxa de reeleição de governadores, com a maioria das disputas terminando no primeiro turno. No cenário nacional, será um resultado com diferença de poucos pontos percentuais, tanto no primeiro como no segundo turno. É a eleição mais disputada que já tivemos.” Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group “É claro que há um grau de incerteza nesse primeiro turno, dado o debate metodológico sobre as pesquisas, mas a nossa expectativa no Eurasia Group é que a diferença entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro seja muito estreita no primeiro turno. Nos últimos momentos da campanha, ainda deve haver um movimento chamado voto útil, na medida em que os eleitores que apoiam outros candidatos concluem que o seu candidato não pode chegar lá. Deve haver uma migração tanto para o senador Flávio Bolsonaro como para o presidente Lula. A média das pesquisas estava mostrando que o presidente Lula está uns três ou quatro pontos percentuais à frente do senador. Nossa expectativa no Eurasia Group é que essa diferença caia para um ou dois pontos percentuais no primeiro turno, o que é muito consistente com um empate no segundo turno ou até com o senador quase um ponto percentual à frente, dado que nós acreditamos que os institutos ainda não estão calibrando plenamente quem tende a comparecer às urnas, considerando a abstenção. Isso tende a subestimar o voto conservador, embora esse viés de subestimação deva ser muito menor nesta eleição do que na de quatro anos atrás, porque todos os institutos estão fazendo ajustes com base nos erros passados.”

Perguntas frequentes

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Sobre o que trata “Margem estreita, ‘voto útil ’e abstenção: veja o que analistas…”?
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Gustavo Azevedo

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