INTERNACIONAL

Faturamento da indústria de material de construção começa a se recuperar com incentivos

O faturamento da indústria de material de construção ainda acumula queda neste ano, até agosto, mas há sinais de recuperação,…

O faturamento da indústria de material de construção ainda acumula queda neste ano, até agosto, mas há sinais de recuperação, que dão esperança ao setor de conseguir fechar 2026 com crescimento. Isso vai depender, porém, do andamento de incentivos para o consumo. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulgou que, de janeiro a agosto, o faturamento do setor recuou 1,7% em relação ao mesmo período de 2025. Embora ainda negativo, é uma recuperação sobre os 2,7% negativos encontrados no acumulado até julho. Até abril deste ano, a queda era ainda maior, de 4,8%. O mês de agosto terminou com crescimento de 1,1% no faturamento, em relação a julho, e crescimento de 3,6% sobre agosto de 2025. A entidade projeta uma alta de 0,5% no faturamento do setor no ano. O valor esperado foi revisado em julho, quando foi cortado de uma expectativa de 1,9% de crescimento. A melhora viria sobre uma queda registrada em 2025, de 1,2%. “Esse movimento segue apoiado pelo bom desempenho das obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida (MCMV)”, afirma o presidente da Abramat, Mauro Franco. Ex-“head” de marketing da Gerdau, ele assumiu o cargo na entidade em junho. Outro fator que ajuda na recuperação do faturamento é o Programa Reforma Casa Brasil, voltado ao varejo. A política, implementada no final de 2025, mas que passou por revisão em maio, com corte de juros e aumento do prazo de pagamento, concede empréstimos para a compra de material de construção para famílias que ganham até R$ 9,6 mil ao mês. Os juros, agora, são de até 0,82% mensais. “O programa colocou quase R$ 3 bilhões no mercado só nos últimos quatro meses”, destaca Franco. A quantidade de contratos de crédito fechados ao mês pelo Reforma Casa Brasil subiu de 9,4 mil em maio para 27,4 mil em agosto, e os valores contratados mais do que triplicaram, de R$ 265 milhões em maio para R$ 963 milhões em agosto. Para o presidente da Abramat, é uma medida importante para ajudar o varejo de materiais, canal de vendas que vinha sofrendo mais. “A gente percebe que o comportamento de compra das famílias mudou, temos um processo de muito mais cautela”, diz, por causa do endividamento familiar. Na quinta-feira (10), o Valor publicou reportagem sobre o fechamento de sete lojas da Sodimac, de varejo de materiais, efetuado no segundo trimestre. A rede, de origem chilena, passou a ter 44 lojas, uma redução de 14% no total de estabelecimentos. A empresa sente retração em suas vendas há trimestres, mas não deu detalhes sobre o motivo do fechamento. O programa Reforma Casa Brasil prevê o empréstimo de R$ 40 bilhões para a compra de materiais de construção, o que garantiria fôlego para mais dois anos de atuação, aponta Franco, mas há a expectativa de ampliação. “O governo tem dado sinais de quer que ele se torne perene, como o MCMV”, afirma. Mesmo com o resultado de vendas atrelado a programas governamentais de incentivo, como o próprio MCMV, a Abramat não prevê impacto da eleição nos resultados deste ano, segundo o presidente. Há o entendimento de que os recursos para 2026 já estão garantidos. A dúvida fica para 2027. “Dependendo da postura que se tenha, principalmente na parte fiscal e econômica, talvez possa ter algumas medidas mais duras, que tragam uma desaceleração maior da economia”, afirma. No entanto, não há preocupação com o futuro dos programas, caso haja uma troca de governo. “São programas estruturados e pensados numa visão de médio e longo prazo”, diz. A Abramat também publica um “termômetro” do sentimento das empresas sobre as vendas futuras. O indicador mostra que há uma expectativa de melhora para as vendas, mas que a efetivação dessa expectativa tem acontecido em grau menor do que o esperado. Em agosto, 85% esperavam um desempenho entre regular e muito bom, mas só 63% confirmaram essa expectativa. Para setembro, 90% esperam que o mês seja de regular a muito bom em vendas. Segundo Mauro Franco, presidente da Abramat, um dos fatores que ajudou na recuperação do faturamento é o Programa Reforma Casa Brasil, voltado ao varejo Divulgação/Abramat

Perguntas frequentes

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Diego Freitas

Diego Freitas

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