ECONOMIA

Empresários articulam novo manifesto para cobrar código de conduta no STF

O setor privado começa a se organizar para divulgar um novo manifesto pedindo que o presidente do Supremo Tribunal Federal…

O setor privado começa a se organizar para divulgar um novo manifesto pedindo que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avance na adoção de um código de conduta para os magistrados. A revelação de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, segundo investigação da Polícia Federal, causou indignação entre empresários, já que traz um sentimento de desconfiança sobre a mais alta corte do país, cuja função é garantir o cumprimento da Constituição.

O pronunciamento mais contundente até agora veio do fundador e presidente do conselho do Grupo Petz Cobasi, Sergio Zimerman. Durante o evento Fórum Negócios Brasil, realizado esta semana em São Paulo, o empresário criticou duramente a crise no STF e os fatos revelados da PF. Ele afirmou que a população deve ir às ruas caso as investigações envolvendo Moraes e Vorcaro não tiverem punições.

— Se acontecer de não dar em nada, vamos para a rua. Vamos para a rua acabar com a sem-vergonhice — disse o empresário, que foi aplaudido de pé pela plateia e classificou como “estarrecedores” os fatos tornados públicos pela PF.

O empresário criticou ainda o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório da PF sobre o caso.

— Imagina, por exemplo, que fosse uma investigação que não tivesse autorização, mas tivesse flagrado uma pessoa, sei lá, praticando pedofilia. Não interessa o que foi feito, interessa que não podia ser feito daquela forma. Não é a primeira vez que anulam processos no Brasil pelo mesmo motivo. Outros processos, como todos sabem, muito importantes foram anulados, as pessoas foram descondenadas porque o jeito de fazer não seguiu um determinado rito — declarou no mesmo evento.

O GLOBO apurou entre representantes do setor produtivo e empresários que existe o início de uma mobilização para que seja um manifesto pedido decoro no STF. As conversas ocorrem em grupos de WhatsApp. Um documento similar, com 200 assinaturas, entre empresários, economistas e representantes da sociedade civil, já havia sido divulgado em dezemb0ro passado, pedindo que o STF adote um código de conduta para os ministros da corte.

Assinaram o manifesto nomes como Arminio Fraga, economista e ex-presidente do Banco Central, João Amoêdo, um dos fundadores e ex-presidente do Partido Novo, e Antonio Luiz Seabra, fundador da Natura, além de acadêmicos como Pablo Ortellado, professor de gestão de políticas públicas da USP, e Hélio Zylberstajn, professor da faculdade de economia da USP.

O documento pedia transparência “sobre os limites éticos que devem orientar magistrados” como condição para a preservação da autoridade moral e credibilidade do Judiciário. O manifesto foi divulgado após revelações de que o ministro Dias Toffoli viajou a Lima, no Peru, durante a final da Taça Libertadores, em um jato particular ao lado de um dos advogados envolvidos no caso Master, cujas investigações estavam sob a supervisão do magistrado. Também O GLOBO havia revelado que o Banco Master contratou o escritório de Mulher de Alexandre de Moares, Viviane Barsi, por R$ 3,6 milhões mensais, num valor que totalizava R$ 130 milhões.

Um empresário que prefere não se identificar confirma a mobilização para que seja divulgada uma nova carta à sociedade cobrando a liderança do STF por um código de conduta.

— Há conversas para um novo documento, que deve sair logo. Há um sentimento de desconfiança e revolta em relação a determinadas posturas de ministros do STF, que criam um ambiente de total descrédito da instituição, que tem o poder de garantir o cumprimento da Constituição. Isso afeta a credibilidade do país, afasta investimentos porque não se pode viver sempre nessa insegurança — diz o empresário.

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Gustavo Azevedo

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