ECONOMIA

Coreia do Sul planeja data center submarino para atender demanda por inteligência artificial

A Coreia do Sul está desenvolvendo planos para um data center submarino, em busca de espaço para acomodar a crescente…

A Coreia do Sul está desenvolvendo planos para um data center submarino, em busca de espaço para acomodar a crescente infraestrutura de inteligência artificial (IA) em um país com território limitado. Em abril, o Ministério dos Oceanos e Pescas escolheu Ulsan, no sudeste do país e importante polo das indústrias automobilística e naval, para um projeto de demonstração que poderá abrir caminho para um complexo de infraestrutura de IA no fundo do mar. Servidores e outros equipamentos serão instalados em grandes unidades semelhantes a contêineres de transporte, que ficarão submersas a 20 metros de profundidade. As unidades poderão ser adicionadas de forma modular, permitindo ampliar a instalação para até 100 mil servidores. O projeto-piloto terá custo estimado de 51,1 bilhões de won (US$ 35,4 milhões). Os testes devem começar ainda neste ano, enquanto a construção da instalação comercial está prevista para 2031. As unidades terão de suportar uma pressão três vezes maior que a atmosférica. Também serão necessárias medidas para evitar corrosão causada pela água salgada e problemas de condensação. Com esses recursos e sistemas de controle de temperatura, o objetivo é manter os componentes eletrônicos em funcionamento debaixo d’água por cinco a sete anos. O projeto é liderado pelo Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia Oceânica, vinculado ao Ministério dos Oceanos e Pescas. Para desenvolver formas eficientes de construir e operar a instalação no fundo do mar, o governo firmou em janeiro uma parceria técnica com a SK Telecom, aproveitando a experiência da empresa na operação de data centers. A Lotte Engineering & Construction e a siderúrgica Posco também participam do projeto. Robôs serão desenvolvidos para permitir o monitoramento remoto. Em 2020, a Microsoft anunciou os resultados de um projeto-piloto de data center submarino. Na China, um data center comercial desse tipo foi construído na costa da província de Hainan. Data centers em terra exigem grandes áreas para abrigar servidores e equipamentos de geração e transmissão de energia. A Coreia do Sul tem apenas um quarto da área territorial do Japão, e grande parte de seu território é montanhosa. Nos últimos anos, a disponibilidade de terrenos adequados diminuiu e os custos de construção dispararam, levando desenvolvedores a olhar para o fundo do mar, apesar dos desafios técnicos. As centenas ou milhares de unidades de processamento gráfico necessárias para treinar e executar modelos de IA generativa também geram muito calor. Em instalações submarinas, a água do mar pode ser usada para resfriar os equipamentos. A Coreia do Sul também desenvolve tecnologia para data centers flutuantes. Em julho, a HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering firmou parceria com a francesa Schneider Electric para desenvolver infraestrutura de energia e sistemas de flutuação. A Samsung Heavy Industries recebeu aprovação preliminar nos Estados Unidos e no Reino Unido para um projeto de data center flutuante e trabalha com uma empresa grega do setor de defesa na comercialização da iniciativa. O governo sul-coreano estabeleceu como meta colocar o país entre as três maiores potências globais em IA. O esforço envolve a produção em massa de semicondutores avançados e a construção da infraestrutura necessária para a tecnologia. A expansão dos data centers é essencial para atingir esse objetivo, mas a escassez de espaço no país representa um desafio.

Perguntas frequentes

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