INTERNACIONAL
'Robôs assassinos': ONU defende limites globais para armas capazes de atacar sem intervenção humana
Um drone de ataque de longo alcance FP-1, da Ucrânia, é lançado em local não revelado do país, em 16…

Um drone de ataque de longo alcance FP-1, da Ucrânia, é lançado em local não revelado do país, em 16 de agosto de 2026. AP/Efrem Lukatsky A Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) reforçaram nesta terça-feira (25) um apelo para que os países adotem proibições e limites ao uso de armas autônomas, sistemas que podem identificar e atacar alvos sem comando humano direto e que são frequentemente chamados de “robôs assassinos”. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O pedido dá continuidade a uma iniciativa lançada há três anos e às negociações internacionais que vêm sendo realizadas sobre o tema. As duas organizações não defendem uma proibição total de todas as tecnologias do tipo, mas pedem regras claras para controlar seu desenvolvimento e uso. Embora afirmem que esses sistemas já estão sendo desenvolvidos, ONU e Cruz Vermelha dizem não ter confirmado seu emprego em combate. Agora no g1 As entidades argumentam que a criação de regras é necessária para proteger a população civil antes que esse tipo de arma passe a ser utilizado de forma mais ampla. “Estamos perigosamente perto de cruzar uma linha moral: permitir que máquinas escolham seres humanos como alvos de forma autônoma”, afirmou a porta-voz da ONU em Genebra, Alessandra Vellucci, ao ler uma declaração conjunta do secretário-geral da ONU, António Guterres, e da presidente do CICV, Mirjana Spoljaric. No texto, os dois líderes afirmam que o alerta ganha ainda mais urgência agora. Segundo eles, as preocupações permanecem as mesmas, mas os riscos aumentaram. A ONU e a Cruz Vermelha argumentam que o rápido avanço das tecnologias militares está colocando pressão sobre as normas internacionais existentes e ampliando a distância entre o que a tecnologia é capaz de fazer e o que a legislação consegue regular. “As armas autônomas não pertencem a um futuro distante. A corrida para ampliar a autonomia dos sistemas de armas já está em andamento”, diz a declaração. O novo apelo ocorre enquanto diplomatas se preparam para uma reunião em Genebra, em novembro, dedicada ao fortalecimento da Convenção sobre Certas Armas Convencionais, acordo internacional que reúne países para discutir limites a armamentos considerados particularmente preocupantes. Guerra na Ucrânia e avanço dos drones A ONU e o CICV avaliam que esse fórum oferece o caminho mais concreto para a criação de regras internacionais obrigatórias sobre armas autônomas. Os esforços para impor restrições a essas tecnologias vêm se arrastando há anos sem produzir resultados definitivos. O debate ganhou força à medida que drones e outros sistemas não tripulados passaram a ser usados em conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de confrontos no Oriente Médio, no Sudão e em outras regiões. Até agora, veículos robóticos terrestres têm sido empregados na Ucrânia principalmente para transportar equipamentos, levar suprimentos às tropas e retirar feridos do campo de batalha. A estratégia reflete a tentativa de reduzir a exposição de soldados em um cenário marcado pela presença crescente de drones. O governo ucraniano também busca ampliar o uso de sistemas robóticos armados para aliviar a pressão sobre a infantaria, que enfrenta desvantagem numérica em diversas frentes de combate. Esses projetos, porém, ainda tiveram alcance limitado. Na avaliação da ONU e da Cruz Vermelha, os alertas não vêm apenas de organizações humanitárias. Cientistas e engenheiros envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias também têm defendido a criação de limites para seu uso. “Quando os próprios criadores dessa tecnologia pedem restrições, os Estados não podem permanecer passivos”, afirma a declaração. O documento conclui dizendo que 2026 precisa marcar uma mudança de rumo nas negociações internacionais sobre o tema.
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